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quarta-feira, 27 de julho de 2022

Animação em Minas Gerais

 


Animação em Minas Gerais

por Sávio Leite

As primeiras experiências em cinema de animação que se tem notícia feitas em Minas Gerais remonta ao ano de 1954 com GEOGRAFIA INFANTIL e ÁGUA LIMPA, ambas do pioneiro Igino Bonfioli (1886/1965), realizadas em parceria com Fabio Horta, em negativo de nitrato de prata. Em 1958, Bonfioli volta a experimentar a animação de recortes e figuração com AVEIA QUAKER, uma peça publicitária.  Tem-se notícia de mais duas animações realizadas por Bonfioli cuja data não se pode precisar, mas provavelmente feitas entre 1959 e a morte do realizador em 1965: JOÃO VENTURA E A FERRADURA e JOÃO VITAMINA, EM BARBÃO, O PANCADÃO. Todas as cópias se encontram no acervo da Escola de Belas Artes da UFMG. Interessante perceber que a aventura de Bonfioli pelo cinema de animação foi contemporânea da produção do primeiro longa de animação brasileiro lançado em 1953: SINFONIA AMAZÔNICA, de Anélio Latini Filho. Uma arte que ainda engatinhava no Brasil e que vai se revelar de difícil distribuição até os dias atuais.

Na década de 1960 não há registro de nenhuma obra animada produzida no Estado. No começo da década de 1970 a rede de televisão mineira TV Itacolomi, Canal 4, realizou algumas animações como vinhetas a cargo de J.J.M Publicidade. Em 1978, Helvécio Ratton, consagrado realizador de A DANÇA DOS BONECOS (1986) e O MENINO MALUQUINHO (1995), dentre outras obras realiza uma experiência única em animação em toda a sua carreira, o elegante e potente curta CRIAÇÃO (1978), com desenhos em acetato, fotos, um roteiro político, feito em parceria com Hugo Fausto  Prats.

O processo foi, obviamente, muito trabalhoso, mas gratificante, por ser infinito em possibilidades. Chaplin já dizia que o verdadeiro cinema estava na animação, que não podia ser limitada por nada – atores, locações ou estúdios. Em certo sentido, ele foi profético, já que hoje caminhamos em direção a um cinema que não tem limites justamente em função da animação. Através dos efeitos visuais (que são uma extensão digital da técnica), o cineasta coloca o que quiser na tela, de dinossauros a enchentes – algo que, diga-se de passagem, eu mesmo viria a utilizar no curta O casamento da Iara, quase trinta anos depois. [1]

Também no final de década de 1970, o artista plástico Ângelo Marzano realizou filmes experimentais desenhando diretamente na película de super 8 criando obras como CRIME PASSIONAL E GATUNAGEM de 1975 e 69, UMA PORNOGRAFIA NACIONAL (1979).

A década de 1980 vai ser a década de criação do curso de cinema de animação da Escola de Belas Artes da UFMG. Através de um convênio com o National Film Board do Canadá, a Escola adquiriu equipamentos e material sensível, o que estimulou a criação de um primeiro núcleo regional de animação, realizando 13 filmes de curtíssima duração como: MU de Tania Anaya e KID KANE de Marta Neves, dentre outros. Na década de 1990 os filmes de Tania Anaya chamam a atenção. BALANÇANDO NA GANGORRA (1992) ganha prêmio no 5th International Animation Festival - HIROSHIMA '94.

CASTELOS DE VENTO (1998) foi um dos quatro curtas mineiros premiados pelo 1º Concurso de Projetos para Filmes Curtas-Metragens do Ministério da Cultura, 1997.  No filme vários lugares simbólicos de Belo Horizonte são retratados (Praça da Liberdade, Viaduto Santa Tereza, Bar do LULU)  e agem como força motriz para a relação de amor entre duas pessoas. O filme funcionou como um renascimento da produção de animação em Minas Gerais. O curso de animação, hoje incorporado também com jogos digitais, ainda está em atividade e é considerado um dos melhores do Brasil.

Já a primeira década dos anos 2000 registrou um número recorde de 247 curtas metragem produzidos em Minas Gerais. Essa explosão da produção se deve ao clima político democrata que o Brasil estava experimentando. Foi a década que surgiram muitos editais e fomentos para a produção. Foi criada a Associação CURTA MINAS que realizou seu primeiro edital para produção de curtas. Um dos filmes premiados pelo edital foi a animação O BLOQUEIO de Claudio Oliveira, baseado no conto homônimo de Murilo Rubião, que fez uma brilhante carreira em festivais brasileiros e internacionais. Essa época é marcada pelo surgimento de novos realizadores como Jackson Abacatu, Leonardo Catapreta, Marcelo Tannure, Ramon Faria, Clécius Rodrigues e Ricardo Poeira.

A segunda década dos anos 2000 confirma a tendência de crescimento da arte da animação no Estado de Minas Gerais registrando novo recorde com 262 curtas realizados.  A animação mineira já é uma produção com reconhecimento em festivais e mostras importantes como o Festival de Berlim e Annecy. Novos realizadores com novas temáticas vão surgindo, abrilhantando e diversificando uma arte que é pura magia e encanto. Experiências inovadoras são criadas como Universidade das Crianças, uma série animada onde dúvidas de crianças são respondidas de uma forma lúdica e animada. O projeto pertence à Escola de Belas Artes da UFMG. A animação se insere também dentro das escolas municipais servindo como ferramenta de aprendizado. O Grupo Giramundo, com uma longa tradição na construção de bonecos, também começa a fazer experiência na animação. Giuliana Danza, Debora Mini e Alexandre Dubiela, dentre outros, vem acrescentar a longa galeria de animadores formados no Estado.

O futuro da animação mineira está caminhando na realização de longas metragens. No Estado estão sendo produzidos quatro longas, o que, dependendo do desempenho deles, alargará o interesse coletivo para essa arte realizada aqui.

[1] VILLAÇA, Pablo – Helvécio Ratton: O Cinema Além das Montanhas. São Paulo: Imprensa Oficial do estado de São Paulo: Cultura – Fundação Padre Anchieta, 2005.

 

REFERÊNCIAS:

GALDINO, Marcio da Rocha. Minas Gerais Ensaio de Filmografia. Belo Horizonte: Editora Comunicação, 1983.

GOMES, Paulo Augusto. Pioneiros do Cinema em Minas Gerais. Belo Horizonte: Crisalida, 2008.

LEITE, Savio (Org.). Subversivos: o Desenvolvimento do Cinema de Animação em Minas Gerais. Belo Horizonte: Favela É Isso Ai, 2013.

LEITE, Savio (Org.). Maldita Animação Brasileira. Belo Horizonte: Favela É Isso Ai, 2015.

TAVARES, Mariana Ribeiro, GINO, Mauricio Silva (org.). Pesquisas em Animação - Cinema & Poéticas Tecnológicas. Belo Horizonte: Ramalhete, 2019.

 (texto publicado em https://www.cinehumbertomauromais.com/post/animacao-em-minas-gerais, Mostra de Cinema Mineiro, Cine Humberto Mauro, Belo Horizonte, 2022)

sexta-feira, 12 de abril de 2019

AGRIDOCE – A BELEZA GENUÍNA EM EDWARD MÃOS DE TESOURA DE TIM BURTON













“Muito do filme é sobre como eu cresci e sobre como muita gente cresceu. Lembro-me de pensar que as casas ficavam perto demais uma das outras, mas havia um estranho sentimento de  ‘ o que está acontecendo ali do lado? Recordo-me de que não havia comunicação de verdade, mas se houvesse uma tragédia, um acidente de carro na nossa rua, as pessoas saiam de suas casas e seria como se fosse uma festa no quarteirão. Não é algo com o qual me identifico, esse gosto de sangue; é um jeito de sentir vivo . É muito estranho e engraçado. Eu acho isso fascinante”

A pedido da mostra Jovens Clássicos do Cinema (21 a 31 de julho de 2017)  realizado em Belo Horizonte no mês de junho, fui convidado a comentar um dos filmes mais adoráveis de todos os tempos que elevou tanto o nome do diretor Tim Burton quanto do ator Johnny Deep ao estrelato.: Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands). Feito em 1990 continua atual nos dias de hoje onde a diversidade conquista cada vez mais espaço na sociedade sem, contudo deixar os conflitos para trás. A cópia exibida em um decente DCP e com legendas simultâneas, além de um espaço recém reformado coloca o Cine Teatro Brasil Vallourec com uma excelente opção no circuito de salas da cidade de Belo Horizonte. Se não fosse os telefones ainda de discagem e as secretarias eletrônicas e o clima retrô moderno a la Jacques Tati. Uma sociedade mecanicamente perfeita, diria até no limite do clichê e as suas micro politicas. Na verdade os conflitos nunca deixaram de existir, mas a ideia de uma sociedade mais igualitária tem avançado e mudado, nem que seja um pouco a sociedade. Um filme onde  todas as casas da vizinhança em que Edward (Johnny Deep)  passa a morar são exatamente iguais, têm a grama cortada do mesmo jeito, todos os seus moradores têm os mesmos horários e nada muito 'fora da rotina' acontece. O filme ridiculariza a força que as pessoas fazem para serem aceitas pela sociedade, estarem dentro dos padrões de 'normalidade' preestabelecidos por ela, o quanto elas valorizam isso e criticam quem não o faz. Outro ponto retratado também, um pouco exageradamente, é o amor/ódio que a sociedade nutre por quem lança novas modas e quem é diferente. Esse filme funciona com um  microcosmo de todo o universo do diretor, tanto das produções anteriores quanto as posteriores onde o humor negro, o bizarro, o cyberpunk,  o diferente habitam um mundo onde a ternura e a compaixão falam mais alto. Esse universo poderia causar repulsa a primeira vista, mas funciona ao contrário, da estranheza nasce a beleza mais genuína. Um azedo doce, uma contradição que tende para o bem. As cores são impactantes e suaves ao mesmo tempo, na cidade e na vestimenta das pessoas causam uma combinação ao mesmo tempo limpa e kitsch. Em uma cena simetricamente perfeita vemos os carros saindo de todas as casas, as cores são diferentes de acordo com a casa que o carro sai. Um desvio perfeitamente calculado dessa pequena sociedade padronizada. Em contraste o mundo de Edward é dark, gótico, mesmo que aceito pela sociedade seu estilo permanecerá dark.

Este é o primeiro de oito filmes em que o ator Johnny Depp e o diretor Tim Burton trabalham juntos; os demais foram Ed Wood (1994), A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (1999), A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005), A Noiva-Cadáver (2005), Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007), Alice no País das Maravilhas (2010) e "Sombras da Noite" (2012). Na vida real, diretor e ator são grandes amigos.

A aparência de Edward foi bastante inspirada em Robert Smith, vocalista do The Cure, uma das bandas favoritas de Tim Burton. E o diretor chegou a convidar Smith para compor a trilha sonora do filme, mas ele recusou, pois o músico estava preparando o álbum Disintegration. Danny Elfman, ex-líder do Oingo Boingo compôs a trilha-sonora e de quase todos os filmes de Tim Burton. E que trilha que preenche de uma forma contundente todo o filme. Uma trilha digna das melhores trilhas de Bernanrd Hermann.

Este foi o último filme de Vincent Price (1911 / 1993), que morreu três anos depois; curiosamente, o seu personagem morre na sua última cena.  Vicent Price, um dos atores mais admirados pelo diretor foi personagem de seu curta de estreia Vicent feito em um impressionante curta em stop motion e realizado quando o diretor cursava a Cal Arts, uma escola multidisciplinar criado por Walt Disney (1901 / 1966) na Califórnia. Depois da escola o diretor foi admitido nos Estúdios Disney e posteriormente demitido por causa de um gosto um tanto excêntrico. Burton é um cineasta de cinema de animação e sua cabeça pensa como um cineasta de animação onde à imaginação não tem limite e na maioria das vezes as historias e os personagens vivem em um outro mundo onde não existe proibição. Tudo é permitido. No seu caso  essa tal liberdade é usada de uma tal maestria que ele ultrapassa o limite do artista “cult” e suas criações atingem uma grande parcela da sociedade, rendeu muito dinheiro. Mas a pesar disso e muita em função do seu pé na horror o diretor tem sido menosprezado aos prêmios principais do Oscar. Não é fácil ser um outsider.

Neste filme especifico, apesar de ser feito em live action guarda muito dos recursos da animação nas esculturas que Edward realiza nas plantas, nos cortes de cabelo das mulheres, no corte dos pelos dos seus respectivos cães e nas esculturas em gelo que realiza, a magia do cinema esta presente e oculta ao mesmo tempo.

Para o personagem Edward Tom Cruise e Robert Downey Jr. foram considerados para o papel. Michael Jackson  (1958 / 2009) também demonstrou sério interesse no papel.  O cantor comprou as famosas mãos de tesoura, usadas por Depp no filme, e mais tarde elas foram postas a venda para um leilão beneficente realizado por Jackson. As mãos de tesoura utilizadas por Depp no filme foram a leilão no dia 24 de junho de 2009, um dia antes de sua morte  e foram arrematadas por US$ 16 mil, os organizadores do leilão esperavam arrecadar apenas US$ 5 mil pelo artefato.

O primeiro papel cinematográfico de Johnny Depp foi no filme A Hora do Pesadelo. Seu personagem morre retalhado pelas luvas com lâminas de Freddy Krueger, muito semelhantes às mãos-de-tesoura de Edward.


Tim Burton nomeou Edward devido à semelhança com o nome Ed Wood (1924 / 1978), cineasta cuja biografia ele filmaria em 1994, com Depp no papel principal. Ou seja, o universo crossover permanece nas duas obras

O filme é uma fábula moderna, inspirada em antigas histórias de terror, como Frankenstein, A Bela e o Monstro e O Fantasma da Ópera, onde as personagens, que como Edward são bondosos e ingênuos, mas a incompreensão e o preconceito levam os personagens à reclusão e a comportamentos antissociais, que acabam por reforçar a impressão inicial que sua aparência causa.

É um dos filmes mais reprisados até hoje pela Rede Globo, ficando apenas atrás de "Lagoa Azul" e "Ghost" na Sessão da Tarde. Aos olhares mais atentos 27 anos depois com o personagem da sexy suburbana Joyce (muito bem interpretada por Kathy Baker), que tenta transar com Edward e diante da atrapalhada rejeição, passa a demonizá-lo e incentivar que os outros moradores o rejeitem. Recentemente o filme A lagoa Azul foi reclassificado no Brasil pelo Ministério da Justiça para maiores de 12 anos por conter cenas de violência e conteúdo sexual. A inspiração do filme foi o clássico Cabinet of Dr. Caligari. De Robert Wiene de 1920, um clássico do movimento expressionista alemão.

Ao longo do filme, as cicatrizes no rosto de Edward continuam mudando de tamanho e profundidade. Para viver Edward, ele teve que emagrecer 11 quilos.

O primeiro esboço do filme foi escrito como um musical.

As esculturas gigantes que Edward cria no filme foram feitas com um corpo de metal e fios. Em seguida, foram colocadas folhas de plástico. Muitas das esculturas são significativamente mais altas do que os arbustos originais.

A maquiagem de Johnny Depp levava 1h45 para ficar pronta.

O filme foi gravado nos arredores de Tampa, na Flórida. Todas as casas do bairro foram pintadas. Durante as filmagens, os moradores ficaram hospedados em um motel local.
Johnny Depp diz apenas 169 palavras durante todo o filme.

O filme também foi parodiado pelo desenho O Fantástico Mundo de Bobby, no episódio História de Pescador (Fish Tales), onde o protagonista conta uma história fantasiosa à sua família na qual Edward era seu cabeleireiro.

O ator chegou a ficar noivo de Winona Ryder, atriz com quem formava par no filme.  O relacionamento acabou e ele quis apagar a tatuagem feita para a atriz. O que antes era Winona Forever, virou Wino Forever (Para sempre bêbado).  O ator também namorou por quatro anos a modelo britânica Kate Moss.

Em Dezembro de 2010, o filme completou vinte anos desde a sua estreia. Para homenagear e assinalar a data, o artista Sebastien Mesnard criou o blogue “Scissorhands 20th”. Com a participação de vários outros profissionais, foram produzidas peças e trabalhos originais de pintura, escultura, desenho e ilustrações. Trabalhos esses que agora poderão ser vistos ao vivo, na galeria “Nucleus” em Alhambra, Califórnia.
Por isso tudo o filme é um jovem clássico do cinema e será assistido por várias gerações com um belo exemplo de romantismo e esperança por um mundo melhor.

WOODS, Paul A. – O estranho mundo de Tim Burton: São Paulo, Leya, 2011.
BURTUN, Tim – O triste fim do pequeno menino ostra e outras histórias: Tradução de Márcio Suzuki.- São Paulo, Girafinha, 2007.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

2º Encontro Sesc de Cinema de Animação de Paraty















Aconteceu entre os dias 24 a 30 de setembro de 2018 na cidade histórica de Paraty / Rio de Janeiro o 2º Encontro Sesc de Cinema de Animação. Iniciativa acertada pelo desenhista e produtor Gabriel Albuquerque, que apesar de ser capixaba tem graduação em cinema de animação pela UFMG. O evento focado em bate papos, exibições de filmes e oficinas voltados para essa arte. Atraiu animadores do Brasil inteiro e um publico curioso com essa arte tão cativante.

Uma decisão acertada por parte da organização foi convidar programadores de cinema das unidades do Sesc do Brasil inteiro nesta imersão junto aos animadores. Em 2017 foram os programadores dos estados de SP. MG, ES, PA, MT, AL, RN e em 2018 os programadores foram do AC, RO, DF, MA e TO. São responsáveis por mediar as mesas e debates durante o encontro, numa relação bem fecunda para todos.

Uma das mesas Animação e educação – tecnicidade pedagógica e pesquisa, da graduação ao trabalho social teve a participação de Thalyta Monteiro, pesquisadora e doutoranda em animação de UFES que traz a animação de uma perspectiva educativa para a formação humana, Utiliza a temática o (s) nó (s) da animação no trabalho docente para explicar as relações da animação produzida dentro da sala de aula. N[ó]s de trabalho coletivo e de implicações pela pouca estrutura para a produção em espaços escolares, no entanto com resultados significativos para a formação humana. . Ela trouxe a memoria dos filmes que assistia desde criança e sempre com uma curiosidade de como aqueles filmes eram construídos. A partir dessas experiências traz a animação para a educação como professora e depois como aluna de doutorado, ela vem pensando a animação como mediador educacional.  Para isso fez um levantamento de temas que vão desde o filme: A Batalha dos vegetais (Nick Park e Steve Box, 2005) a Fuga das Galinhas (Nick Park e Peter Lord, 2000) analisando a técnica, a criação e a mediação, mas para ela havia uma lacuna: o maior quantitativo de pesquisas na educação com a temática animação surgiu no período de exibição desses filmes.. A animação em sala de aula se constrói na resiliência em constante transformação. Mediadora de conhecimentos e valores. Ela defende a tese de que o animador/professor como mediador desses conhecimentos é importante por trazer a discussão e expor os processos técnicos  e criativos sobrepostos por outros aprendizados que perpassam os conteúdos escolares e também pela formação dos professores para que esses compreendam a técnica e a vinculem com os contextos educativos. O anseio de professores que fazem as formações do uso da animação na educação é quanto o ato de desenhar. É preciso que se desconstrua o ato de desenhar, animação não é só desenho; Outro anseio dos professores é quanto ao uso das tecnologias. É preciso que as escolas adotem cada vez mais o uso das tecnologias. No entanto, os professores que trabalham com animação em sala de aula superam a falta de estrutura em escolas espalhadas pelo Brasil inteiro. Aponta que a ausência de cursos de animação para a educação pode ser resolvida com a criação de curso de extensão na modalidade EAD -ensino a distância-,  (a UFES ofertou para educadores interessados )  visto o interesse de muitos docentes pela temática. Como frisou Thalyta: a respeito de suas experiências com os discentes: “Nunca de respostas prontas. Force o dialogo” ao se referir a produção de animação em ambiente educacional. .

Daniel Werneck professor da UFMG falou sobre o curso de animação feito em Minas, pioneiro no Brasil na implementação de uma graduação em cinema de animação e do acordo feito pela Escola de Belas com o National Film Board do Canadá que possibilitaram a criação do curso e a formação de pessoas e por colocar Minas Gerais num patamar de reconhecimento de formação de professores e realizadores desde a década de 1990.

Rafael Buda trouxe a OCA (0ficinas de animação) de Recife e discorreu sobre a vida de Lula Gonzaga, uma vida dedicada ao cinema de animação. 50 anos de ativismo, pesquisa e produção em cinema de animação. Em 1972 produziu o primeiro filme  de Pernambuco (Vendo /Ouvindo). Em 1979 fez A saga da Asa Branca em acetato. Em 1980 fez “Cotidiano” uma mistura de live action com animação e 1986 coordenou o coletivo filme “Planeta Terra”. Em 1962 vai para Zabreg e na volta em 1987 funda o Cine bajado em Olinda onde realiza o Primeiro Encontro de animação, embrião para todos os encontros, festivais e mostras que surgiram no Brasil desde então. Mas Lula se destacou sobremaneira como professor nas mais de 400 oficinas que realizou pelo Brasil. Uma delas já virou uma lenda; a feitura do filme Igaurassu com 40 jovens  dentro da Igreja de são Cosme e Damião. Lula ensina a fazer animação com custo barato.

Wilson Lanzaretti iniciou na animação em 1975 e criador do núcleo mais antigo do Brasil a trabalhar com cinema de animação. Ele e Mauricio Squarisi já realizaram mais de 2500 oficinas de cinema, inclusive em Moçambique. Wilson também estava com seu primeiro longa ”Historia de uma história”, um filme musical com o ápice de um musica cantada por Elza Soares e que traz questões filosóficas e formais. Porque as linhas são traçadas? O que fazer com tantos desenhos feitos compulsivamente? Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? Assim com recordações ao livro A origem das espécies de Darwin e Dom Quixote de Miguel de Cervantes. O filme constrói metáforas bonitas como comparar os olhos de uma personagem a uma jabuticaba. A recriação de um palácio dos ventos aliado à inquietação particular de cada um. Santos Dummont aparece dando conselhos: “desenho é uma ideia com contorno”. Uma frase bastante curiosa, dita ao realizador por outro realizador, Bruno Bozzetto, numa palestra na FAAP em  São Paulo. Wilson achou pertinente agregá-la no filme em oposição a “rabisco é um desenho sem verdade”. Objetos não usuais aparecem com uma Kapja, uma maquina fotográfica muito antiga. A Kapsa conhecia como "Pinta Vermelha" é uma câmera brasileira fabricada na década de 50 pela empresa D. F. Vasconcelos. A empresa iniciou suas atividades em 1941 na cidade de São Paulo, com a fabricação de telêmetros de depressão para Artilharia de Costa, encomendados pelo Exército Brasileiro. Foi uma das primeiras câmaras fotográficas.

Wesley Rodrigues, que nasceu em Goiânia, mas vive no interior da Argentina trouxe a Paraty seus curtas responsáveis por muitos prêmios e reconhecimentos em inúmeros festivais de cinema. O trabalho de Wesley se destaca em todos os suportes que produz: ilustração, quadrinhos e animação. Seus curtos têm traços originais que se explodem em cores e enredos mirabolantes em filmes como: O violeiro fantasma (2017), Viagem na Chuva (2014), Faroeste: um autêntico Western (2013). Wesley ilustrou o cartaz do festival Internacional de cinema de animação de Pernambuco, Animage cujo curador Júlio Cavani estava em Paraty apresentando a linha curatorial do festival ao enfatizar o conteúdo poético, questões contemporâneas, visibilidade e representatividade exibindo curtas e longas metragens com destaque para mostra erótica que acontece dentro da programação do festival Pernambuco que já está em sua nona edição.

Uma mesa de festivais de animação contou a presença de Julio Cavani e também com a presença de Rafael Buda representando o Animacine que acontece no agreste pernambucano. A intenção ambiciosa do festival já deu um importante passo com a construção do Museu de Animação Lula Gonzaga cujo objetivo é transformar o agreste num centro de arte da América Latina. Entre os três locais que são realizados o festival  vive o lendário artista plástico Jota Borges ( Bezerros), Lula Gonzaga (Gravatá) e Mestre Vitalino  (que viveu em Caruaru).Um festival feito fora da região metropolitana envolve logísticas diferenciadas e cujo diferencial caba sendo as oficinas de animação voltadas para um publico infantil, inclusive oficinas feitas com crianças autista. O festival acontece bienalmente e já teve três edições.

Alexandre Costa de Brasília falou sobre o Interanima – Festival Internacional de animação e interatividade. Começou sua fala destacando o aumento de 22% em relação aos festivais de animação de 2017 em relação a 2016 a partir de uma pesquisa feita com festivais audiovisuais em 2017 por Paulo Victor Luz Correa. Alexandre trouxe para Paraty a experiência em Realidade Virtual (VR). Filmes feitos direto nessa plataforma que extrapolam o campo visual e permite uma interação verdadeiramente imersiva para quem assiste. Mostrou como funciona o google spotlight stories que contem um grande numero de filmes que podem ser assistidos gratuitamente a partir de um aplicativo para celular acoplado a óculos especiais (headsets). Nesse tipo de ambiente a realidade é aumentada como se camadas e camadas fossem coladas sob a realidade. Outro exemplo foi UMAMI de Thomas Pons e Landia Egal/ Du Studios, uma experiência em VR em tempo real em que a instalação emerge o usuário na historia, de um homem redescobrindo suas memorias através de uma série de pratos, bebidas e sabores propostos e esteve na seleção oficial do 75º  Festival de Cinema de Veneza.
Outra experiência fantástica e a animação é Dear Angelica (Oculus Story Studios), Uma jornada através de formas magicas e oníricas. A trama envolve uma garota (dublada por Mae Whitman, a Suzy de “Johnny Bravo”) que lembra da falecida mãe (Geena Davis, de “Thelma & Louise”), uma estrela do cinema, ao assistir seus filmes antigos. O espectador então mergulha nas memórias da jovem. Totalmente pintado a mão dentro da VR através de uma ferramenta chamada Quill  é possível interagir interrompendo a narrativa e mudando os ângulos da câmera a partir dos movimentos do usuário. Exibido no festival de Sundance em 2017 o filme recebeu elogios da critica com um dos melhores filmes exibidos no festival e uma experiência que daqui a 20 anos será lembrada. A realidade virtual foi a grande sensação do encontro e teve uma sala de destaque apresentando 4 experiências em uma sala separada: Digital Museum of Digital Art  de Alfredo Salazar-Caro e William Robertson (EUA, 2015), Murmur de Sebastie Labrunie (França, 2018), Murdock de Morgan Cronnel, Pontus Bjorkberg, Gustav Ekelund e Ivar Bjorling (Suécia, 2016) e Antiga Constelações (sobre a Vila Itororó) de Gabriel Menotti que recupera as memorias dos moradores expulsos do lugar para dar lugar a um centro cultural em São Paulo.

Gabriel Menotti Professor da UFES estava presente também no encontro e apresentou varias novidades tecnológicas do cinema aliado a videogames e hibridização de procedimentos como o clipe Saturnz Barz (Spirit House) 360 da banda Gorillaz de 2017 e Allumet (Chung, 2016) uma animação feita em VR mais longa já feita até então  (20 minutos)- O filme, que é sobre a menina e suas aventuras em uma cidade flutuante cativante, é uma experiência de visualização emocionante. Baseado em The Little Match Girl, a história de Allumette segue uma mãe e sua filha enquanto elas se dirigem a uma cidade prodigiosa e excêntrica, composta de ilhas flutuantes. Os dois protagonistas são retratados como mercadores viajantes, e esta estranha cidade está repleta de clientes em potencial. O enredo se concentra fortemente em temas de paternidade, o tênue, mas forte relacionamento entre uma filha e sua mãe, e a importância de transmitir lições e histórias vitais de geração em geração. Segundo a revista Wired, Allumet é a prima obra prima da VR. Gabriel ainda mostrou o trabalho do Sundance Institut com seu programa New Frontier Mobile VR Lineup cujo aniversario de 10 anos em 2016 organizou uma coletânea com 10 filmes mais expressivos em VR assim como ensina a fazer os ósculos (headsets) a partir de caixa de papelão e Sketchfab  uma plataforma para publicar, compartilhar, descobrir, comprar e vender conteúdo  VR fornecendo um visualizador baseado nas tecnologias WebGL e WebVR que permite aos usuários exibirem modelos 3D na Web, para serem visualizados em qualquer navegador móvel, navegador de desktop ou headset de Realidade Virtual. A empresa por trás da plataforma tem sede Paris e em Nova York. A Sketchfab participou de um programa de aceleração de startups TechStars em New York City em 2013 arrecadando US $ 2 milhões e US $ 7 milhões em junho de 2015.

A VR é uma nova forma de arte, e o mais interessante é que estamos apenas no começo de descobrir suas potencialidades e possibilidades aprendendo com erros e acertos.

Durex, suor e sangue
Outra mesa foi voltada para a animação infantil para discutir métodos, narrativas próprias, padrões e linguagem com o animador Fabio Yamaji e por Victor Hugo Borges, que exibiu também seu primeiro longa: Historietas Assombradas – O Filme (2017), durante o encontro falou de uma série que anda desenvolvendo para o Cartoon Network sobre os personagens de historietas saídas da mitologia brasileira que já está em 3 temporadas. A primeira temporada tem 14 episódios de 11 minutos, a segunda temporada são 26 episódios de 11 minutos e a terceira temporada com 52 e revelou que esta em produção de uma serie para crianças menores para a Discovery Kids e já esta negociado a segunda temporada.

Fabio Yamaji trabalha há mais de 20 anos com animação e tem como especialidade o stop motion e professor. Ambos trabalham no viés de uma produção autoral.

Um amor de jacaré?
Outro animador presente no encontro é o lendário Otto Guerra que estava ministrando uma oficina de flip book e mostrou seu novo longa: A Cidade dos Piratas, baseado inicialmente nas tirinhas da Laerte:  Piratas do Tietê. O que vemos na tela é o filme brasileiro mais corajoso das ultimas décadas feito no país. Um filme para varias leituras e pelas varias historias que ele perpassa com a sagacidade de quem tem mais de 40 anos dedicado ao movimento animado brasileiro. O filme começa com uma farsa, ou uma potencia do falso ao apresentar bandeirantes devastando a selva brasileira e dizimando os seus primeiros habitantes: os indígenas. Numa cena exemplar e bem construída imageticamente vemos a inversão de valores que nos acompanha ate hoje. No rio Tietê, em 1546, ao som de Raul Seixas, uma cena violenta dos bandeirantes e eternizada numa estatua como se os bandeirantes não fossem invasores e sim pessoas do bem, trazendo sua religião para aquele povo bárbaro.
È metalinguístico. O infinito e o minotauro, um personagem que perpassa a historia como um todo. Mas o filme é mais do que isso, também narra a transformação da cartunista Laerte no tempo. Interessante quando o filme mistura live action de entrevista com a apresentadora Marilia Gabriela e outras dentro do filme. O tom é de deboche e de espanto. Sentimos-nos constrangidos enquanto plateia de ouvir aquelas perguntas sendo feitas a um ser humano. O tema da homofobia é evidenciado com uma percepção assustadora. Pesadelos de uma ditadura gay perturbam a mente do prefeito. Milhares de jovens sendo empurrados para a marginalidade a partir de uma escolha que no fundo não é uma escolha.

Faz referencia a Fernando Pessoa num estiloso e elegante preto e branco. A polarização que atingiu o Brasil desde 2013, até todo o desenrolar desse processo esta dentro do filme. Algumas frases parecem como inserções nonsense ao estilo Monty Pyton: Breve aqui massacre!, Viva a Revolução Conservadora! Nos leva o filme a direcionar o nosso olhar.

Para completar e coroar o diretor teve sérios problemas de saúde e desacordos durante a realização do filme, e isto também esta dentro do filme. Os piratas servindo como símbolo de decadência do estúdio. Mas as referencias não param por ai. O filme é caleidoscópio de memorias que já estão no cinema de Otto Guerra há muito tempo como o minotauro azul e com uma orelha somente que em uma festa Hare Krischa seleciona jovens virgens especialmente para seu deleite. O sangue fazendo uma referencia a arte do artista pop Roy Lichtenstein, outro artista apaixonado pelos quadrinhos se mistura a genitálias em caixinhas, ideograma chinês, uma enfermeira sofredora. Um super herói que tem problemas para tirar sua mascara, o suicido como tema. O filme tem a urgência de ser um épico de uma geração ou dos tempos em que foi produzido. O filme trata do amor e da falta do amor e do sofrimento causado pela falta de amor e consequentemente o ódio. O clássico Blow up, depois daquele beijo (1966) de Michelangelo Antonioni é referenciado. Uma interlocução se faz entre os dois filmes. Nenhum deles propõe um final fechado.  O filme te propõe um labirinto: Entre para crer! Desça para crer! Mergulhe para crer! Pode crer!

O filme/diretor se propõe a questionamentos existenciais: O que é vida? Se Deus existe eu não sei! Mas existe gente demais! Como vamos fazer para alimentar essa população? Deus! O que? Voz de Deus um papel a altura do diretor. Estamos diante de um filme de vanguarda; O sentimento é de impunidade, como se no Brasil só as pessoas pobres são atingidas e ninguém se importa com isso, ou como o bordão muito vezes vociferado: Bandido bom é bandido morto! O filme é um patrimônio que escapa pelas bordas dos nossos acervos imagéticos. O filme é um acontecimento. Mas Otto admite que o maior inimigo do cinema brasileiro ainda é o roteiro.

Outra mesa acontecida foi as do longa de animação que além do Otto Guerra contou com a presença de Paolo Conti com seu longa Minhocas (2013), que teve uma jornada incrível até chegar ao longa metragem. Começou como um curta metragem no mesmo ano de estreia do curta Historietas assombradas para crianças mal criadas de Victor Hugo Borges (2006). A intenção sempre trabalhar com stop motion, com alta tecnologia e misturando artes plásticas. O filme teve sucesso de publico e foi distribuído internacionalmente.

Gabriel Bitar que estava no encontro ministrando junto a Nana Lahoz um workshop de animação com tinta a óleo, uma das técnicas envolvidas no seu longa de estreia: Tito e os pássaros cuja direção é dividida com André Catoto e Gustavo Steinberg. O filme teve apoio do Ibermedia e estreou no Festival de Annecy e desde então tem conquistado o publico por onde anda O filme conta sobre o medo que tomou parte do mundo, numa clara referencia aos tempos sóbrios que a humanidade anda enfrentando e como os pássaros sempre avisaram sobre catástrofes, através do tempo para salvar essa mesma humanidade em eventos marcantes da historia. A historia gira em torno de uma invenção que usa pombos, Um dos animais que esta presente junto ao homem desde tempos imemoriais. Os pombos são livres e rejeitados. No filme a mídia sensacionalista também esta em questão com uma propulsora de medo. A animação foi feita pela Copa estúdios e a trilha, muito marcante no filme, foi gravada nos estúdios Abbey Road onde os Beatles gravaram a maior parte de suas musicas. A montagem do filme foi feita pela experiente Vania Debs e faz uma combinação excelente de desenhos digitais e pintura no vidro. É tão harmônico que o público leigo não perceberá essa diferença, o que torna o filme lindo com uma mensagem positiva para as novas gerações. Como todo bom filme ele é indicado para o publico infantil, mas o publico adulto também se diverte e se torna pensativo com os rumos da humanidade.

A ultima mesa do evento foi sobre representatividade na animação e quadrinhos que reuniu a quadrinista de Paraty Luiza Lemos que trabalha com o projeto Transitorizada, onde publica semanalmente pela internet tiras que tocam em questões LGBH com foco maior no seguimento T e politica. Wesley Rodrigues estava presente na mesa também e falou da dificuldade de se fazer animação fora dos grandes estúdios e reforçou uma integração do Brasil com a América latina, Wesley trabalhou no longa: Até que a Sbornia nos separe (Otto Guerra, 2013). Cintia Maria de Salvador trouxe para Paraty seu curta: Orum Aiyê, a criação do mundo - onde traz o universo do candomblé para as telas do cinema. Melissa Garcia trabalha com voz em filmes de animação como O menino e o mundo (Alê Abreu, 2013) trouxe o questionamento de que uma voz num filme não só em termos de narração. Silêncios, ruídos e pausas são importantes para compor o todo sonoro de um filme. Melissa fez curso de atuação pra desenhos animados nos Estados Unidos. Eça enfatizou sua fala que a animação brasileira tem bastante mulheres trabalhando se contarmos as secretarias, as faxineiras, a produção e animadoras também.

Também foi exibido durante o evento o filme de longa metragem: Café: um dedo de prosa de Mauricio Squarisi e as oficinas Trilha sonora animada com a compositora Priscila Ermel que reside em Paraty

A programação do 2º Encontro Sesc de Cinema de Animação reuniu temas urgentes e a possibilidade de entretenimento numa programação para toda a família. Importante iniciativa que aposta em atividades formativas como forma de aproximar os diferentes extratos sociais por meio da produção artística contribuindo para a cultura brasileira