quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

KOMBUCHA

















Kombucha – 2’17”- Experimental – Bolívia - Brasil – 2009
Direção, fotografia e montagem: Sávio Leite
Música: Pumpy – Mechanics

Um biofilme resultado de uma simbiose complexa entre espécimes de bactérias e leveduras.

A biofilm resulted from a complex symbiosis between bacterias species and yeast.

Seleção:
13a Mostra de Cinema de Tiradentes – MG – 2010 – Brasil
9ª Mostra do Filme Livre – RJ – 2010 – Brasil.
5 FECIS0 - Festival de Cine Social y Antisocial - Santiago - 2010 - Chile
7º EL ESPEJO - Festival Internacional de Cortometrajes y Esculas de Cine – Bogotá – Colômbia – 2010.
IV Mostra Internacional de Curtas Metragens da Unioeste – Toledo – PR - Brasil


algumas consideraçoes:
O LUGAR MAIS SAGRADO DO PLANETA

Toda viagem indica uma transformação. Esta no próprio ato de se deslocar. Mais do que isto, pressupõe a quebra de preconceitos e te proporciona uma forma mais leve de encarar a existência, de viver novas experiências, muitas vezes nascidas de devires que viram a acontecer no improviso, No próprio ato de viver.

O curta KOMBUCHA começa com uma viagem terrestre. De Belo Horizonte no Brasil a Ilha do Sol na Bolívia. A viagem foi feita toda através de ônibus. De Belo Horizonte a São Paulo. De São Paulo para o sul do Brasil, depois cruzando a Argentina até chegar a Santiago no Chile, passando por lugares deslumbrantes na Cordilheira dos Andes.

De Santiago a Iquique, cruzando o deserto de Atacama e cidades mágicas como Tocopylla, cidade natal do inimitável cineasta Alejandro Jodorovsky. De Iquique para Oruru na Bolívia. A viagem para a Bolívia tinha como objetivo conhecer o cineasta, e principalmente os filmes de Jorge Sanjinés.

De Oruru para Cochabamba. Apesar do charme que o nome de Cochabamba evoca, não acostumei com a cidade. Fiquei na casa de dois primos, irmãos, que estudam medicina. Duas noticias me sacudiram em Cochabamba. Primeiro fiquei sabendo que os filmes de Jorge Sanjinés não estavam a venda em lugar nenhum e não poderiam ser assistidos. Terminantemente. Vi outros filmes bolivianos, principalmente Evo Pueblo de Tonchy Antezana, cujo nome verdadeiro é Sérgio. Em Cochambamba andando pelo mercado principal comprei um livro que seria o guia da minha viagem dali por diante: El mensaje secreto de los símbolos de Tiahuanaco y del Lago Titikaka.

Conheci Sérgio Antezana em sua produtora em Cochabamba. Creio que foi uma vista muito peculiar e até hoje nos correspondemos. Sérgio acaba de lançar outro longa “Cemitério de Elefantes”. Uma tarefa árdua já que a Bolivia é um dos países mais pobres e menos desenvolvidos da América Latina. Pobre economicamente porque o país carrega um tesouro arqueológico de mais de 12.000 anos de uma vasta historia e cultura.

A segunda noticia recebi através do MSN do meu sobrinho em Cochabamba informando sobre um acidente com meu único irmão que mora nos EUA. O acidente tinha sido muito grave. Ele já tinha passado por muitas cirurgias e ficaria um bom tempo no hospital.

Com essa noticia resolvi encurtar minha viagem, mesmo conseguindo falar com meu irmão no hospital e ele me tranqüilizando que o risco de morte já tinha passado. Parti para La Paz. Quando cheguei a La Paz reconheci no primeiro passeio pela cidade toda a vida pulsante no meio a muitas cores, cheiros e misturas de pessoas. Mesmo sabendo que o meu intuito era exótico, depois de contactar algumas pessoas que trabalham com cinema na Bolívia, procurei a casa de Jorge Sanjinés. Chegando a sua casa, bati a porta sem resultado.

Resolvi explorar mais um pouco os lugares próximos a La Paz: tomei conhecimento de um passeio a terras do Tihuanaco, um grande sitio arqueológico, composta por um museu e uma cidade que estava aparecendo debaixo das escavações. Algumas habilidades dos Tiahuanaco impressionam como o sistema de áudio e comunicação e suas bela arquitetura. No museu construído ao lado poderiam ver crânios trepanados. Quando os Tiahuanaco percebiam que determinada criança aprendia certas habilidades muito novas, ou mesmo falavam e escreviam antes do tempo, seus cérebros eram expandidos com grandes pregos afim de a massa craniana poder se expandir também. Subimos a um monte onde contava nosso guia que ali era o lugar mais sagrado do planeta e até para ele um típico habitante do lugar, podia sentir as vibrações. Subindo a esse monte tive a certeza que meu irmão dali em diante não morreria e eu poderia ainda curtir o restante da viagem.

Resolvi então conhecer o Lago Titikaka, que há dias povoava a minha imaginação. Uma viagem fantástica. O lago Titicaca é envolvido em muitos mistérios. É um santuário para quem vive de suas águas. A histórica diz que foi um lago desenhado e construído, mas o seu desenho só pode ser visto do espaço: um peixe, um puma e um homem alado. Os separa um cálice telúrico: o vulcão Kjapphia e a cidade encantada de Copacabana. Este desenho considerado “A grande Esfinge Aquática do Titikaka”, são figuras simbólicas que guardam identidade como a ideografia Tiahuanacota. Por esta razão é considerado um lago sagrado. A ilha do sol onde Jorge Sanjinés rodou o seu primeiro filme, UKAMAU localizado em uma das suas margens também é considerado sagrado pela crença popular, pois seria o lugar onde teria aportado a famosa Arca de Noé, que depois se transformou em ouro e prata e depois em pedra. O lago ficaria como prova do maior dilúvio que o Planeta Terra presenciou. Nessa ilha, as pedras parecem pregadas, com desenhos na paisagem que até hoje a geologia não conseguiu explicar completamente. A velha tradição andina dizem que ela é o berço do Império Inca. De toda maneira o Titikaka é considerado o maior lago em altitude do planeta com 8.560 kilometros quadrados, passando pela Bolívia e o Peru. Suas águas exercem o maior facinio por serem tropicais, mas frias. Com uma profundidade de 284 metros é navegável para grandes embarcações. Contém 36 ilhas, sendo a ilha do Sol a mais importante.

De volta a La Paz fui encontrar com um amigo de uma amigo do Brasil, onde tomei na casa dele a Kombucha, um chá, sem propriedades alucinogeneas, mas cujo fabricação remonta há mais de 10.000 anos. Uma bebida de sabor forte e gostosa, mas que me levou para cama no ultimo dia na Bolívia.

Por uma circunstancia do destino fui proibido de embarcar no dia seguinte porque não estava com o meu cartão de vacinação. Nada mal, pois tinha adorado conhecer La Paz. Depois de devidamente vacinado, volto a percorrer as ruas de La Paz andando por caminhos que suspeitava ainda não tivesse caminhado. Não é que parei de novo em frente a casa de Jorge Sanjinés. Não titubiei. Bati na porta e fui atendido pelo seu filho, Mallkus. Expliquei que era brasileiro e que tinha muita curiosidade em conhecer o cinema dele. Para mim surpresa, um grupo de pessoas estava no local e começariam em seguida a ver um filme dele. Pedia com humildade para também assistir. Mallkus foi sondar o grupo e voltou com a resposta afirmativa.

O filme que assitimos foi: El coraje del pueblo, um filme de 1971. Uma verdadeira obra de arte, que deixou a pequena audiência sem palavras. O curta Kombucha é uma homenagem a todos esses eventos extraordinários acontecidos em uma viagem. Acabei comprando um livro chamado: Teoria y práctica de um cine junto al pueblo escrito pelo próprio Jorge Sanjinés y Grupo Ukamau. Toda a cinematografia de Jorge Sanjinés é em prol da preservação da população aymara e falado em quéchua.

Sávio Leite – Janeiro de 2010.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Metamorfose e Risco no Cinema de Sávio Leite

Metamorfose e Risco no cinema de Sávio Leite
Por José Ricardo da C. M. Junior

“O Homem comum é um monstro, um perigoso delinqüente; conformista, colonialista, racista, escravagista!” as palavras de Orson Welles no segmento “A Ricota” dirigido por Pasolini no filme coletivo RoGoPa, guarda semelhanças com o trabalho de Sávio Leite.

Para Sávio Leite parece existir algo de monstruoso na mediocridade. O homem médio se transmuta em animal e o animal se torna humano. É um trabalho altamente sexual, mas não sensual, outra conexão com Pasolini. A metamorfose da qual falo vem do interior dos seres e se expressa no exterior. Ou seja, o grande elemento moldador do indivíduo é seu grau de desespero ou isolamento perante o seu meio social. A monstruosidade e deformações, como no curta metragem “Terra” advém do monstro interno se expressando fisicamente através das linhas.

Neste sentido, o cinema de Sávio Leite possui algo de brutal e melancólico; como se tentasse observar o mundo e exibi-lo como este realmente é por baixo de sua aparência asséptica, mesmo que para isso tenha que abrir mão do “realismo” do traço na animação. Seus filmes parecem buscar por um equilíbrio impossível no universo que se apresenta na tela.

Por linhas, assumo a idéia de traço, aquilo que delimita, controla, organiza.

Uma influência muito marcante em filmes como “Terra” pela fluência das linhas com as quais o diretor trabalha é Emile Cohl. As linhas parecem ter vida, são livres, não busca pelo realismo, mas pelo real por trás do irreal, como se em seus desenhos houvesse algo a ser descoberto. Por não buscar realismo tem-se a abertura para possibilidade de metamorfoses. Este tipo de animação se distingue bastante da chamada animação clássica, da qual um grande nome seria Walt Disney.

Ao contrário do estilo clássico, a linha, organizadora de informação, está no cinema do diretor Sávio Leite, organizando para desorganizar. Em Emile Cohl, vemos mutações de linha que se organizavam, se mutavam para se reorganizar, construindo assim um discurso sobre as possibilidades da animação. Esta idéia persevera em Sávio Leite, a linha em Sávio é a metamorfose. Porém quando esta linha se organiza em imagens compreensíveis na tela, temos uma informação brutal, que de certa forma desorganiza conceitos sociais. Ou seja, através da linha se cria metamorfoses na tela, metamorfoses que deveriam organizar o mundo de forma lógica. Mas o mundo, ao olhar de Sávio Leite, é tão caótico, que ao organizar a linha, um período de transição, se desequilibra ainda mais o espectador.

O fetiche que hoje vemos na animação de formas cada vez mais próximas do real, tentando representar a figura humana de forma mais precisa, perde possibilidades de se criar um universo que representa a existência humana de forma muito mais poderosa, através da força poética da mutação. Mutação constante ininterrupta, o caos de existir. O que estava aqui a um momento atrás e que deixa de ser para se tornar outro. A linha como metamorfose é a própria poesia, pois se torna orgânica é um ser vivo pulsante na tela. O assunto não é apenas o que a linha delimita, mas a própria linha e seus movimentos.

Assim, a questão que se torna óbvia no cinema de Sávio Leite, é de que as linhas delimitadoras, sejam estas sociais, culturais ou humanas são prisões tentando enquadrar todos em seus limites e que apenas através da mutação algo de livre ou libertário pode ser alcançado. Assim, se representa a monstruosidade nas ações humanas, esta, em constante transformação e movimento.

O diretor parece afirmar em sua obra que o olhar humano sobre determinada realidade é desorganizador, pois assim se enxerga a verdadeira natureza de um ser. No curta metragem “Cave, cave Deus Videt”, Sávio Leite nos apresenta uma visão pertubadora de um mundo frio, altamente sexual. Um universo que parece atestar a loucura da existência humana. Neste filme temos a mesma estrutura de se organizar para desorganizar. A câmera passeia pelas linhas do quadro e quando a informação das linhas se faz decodificável, o horror ou a bestialidade da cena cria um desequilíbrio. Como se ao organizar aquela informação, por sua natureza caótica percebêssemos como o mundo é opressivo para aqueles que não se enquadram, e que tentam desesperadamente se enquadrar. Assim, esta obra fala de todos e de ninguém.

O cineasta parece afirmar que há monstruosidade humana esta dentro das linhas. Assim, a linha como agente delimitador de espaços é subvertida pois não consegue alcançar seu princípio básico – o equilíbrio. O interesse aqui não é o equilíbrio, mas exatamente o desequilíbrio. O instante quase mágico de criação no qual a recompensa é o choque.

Já em “Eu sou como o polvo” as primeiras referências que vem à mente são as primeiras obras de Stuart Blacktown e “O Segredo de Picasso” de Henri-Georges Clouzot . O princípio formador da arte é o que fascina. Observar a criação no instante em que esta ocorre. Quase um número de mágica, algo que não existia assume forma e passa a existir. Em “Eu Sou como o Polvo”, vemos a construção de personagem e autor, as influencias se traduzindo em traços.

Curiosamente os autores que Sávio busca retratar parecem ter uma visão de mundo alinhada com a do próprio autor. O desequilíbrio das transformações em um mundo que se metamorfoseia a todo instante engolindo tudo e todos e se alimentando da fragilidade humana, se sustenta.

O principio básico da monstruosidade em Sávio Leite é o humano, o comum e o medíocre, o estagnado. Ao ver obras como Mirmidões temos esta clara noção.

A estética marginal também é muito presente em “Terra” que parece ter saído do caderno escolar de um adolescente durante a aula fazendo desenhos eróticos e caricaturas. Isto amplifica a sensação de isolamento. O autor e público estão ilhados em um universo particular e altamente dramático.

Outra característica que merece menção é a fúria dos traços. No filme já mencionado, “Cave, Cave...”, as obras muitas vezes são riscadas como um artista que criou um universo, e depois, tenta negá-lo. Uma sociedade que produz imagens como estas tem algo de patológica, e através disso podemos observar as contradições internas e a monstruosidade de um mundo gerador do ódio. Um universo que rejeita o outsider, o loser, aquele que não encontra lugar em um mundo que parou de se preocupar com os fracos.

Assim talvez, por isto o homem médio seja o monstro neste cinema, pois este tenta desesperadamente se enquadrar nos limites impostos, e almejar subir na vida dentro das linhas, sendo cuidadoso o suficiente para nunca cruzá-las.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Entrevista Sávio Leite - A arte libertária da Animaçao

Entrevista com Sávio Leite - A arte libertária da animação

Até então rejeitados em Minas, os filmes de Sávio Leite rodam o mundo, da Finlândia à Bósnia-Herzegovina. Animador que desenha mal, Sávio se considera um cineasta que embarca no universo da animação pelo seu "caráter libertário". Agora sua obra começa a despertar interesse em sua própria cidade: foi homenageado esta semana na VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo.
Douglas Resende


Seu último filme, "Terra", tem tido uma bela trajetória, que já passou por vários países com prêmios em importantes festivais. Por que você acha que ele deu tão certo?


Esse foi o meu filme que teve mais dinheiro, de um edital da Secretaria do Audiovisual (SAV/MinC). E quando você tem dinheiro (no caso, R$ 60 mil), você tem mais possibilidades de tornar o trabalho mais elaborado. Mas o filme deu tão certo porque todo mundo se identifica com o texto do Sérgio Fantini, que fala sobre coisas que acontecem com qualquer ser humano. E o (ator Paulo César) Pereio se identificou demais com o texto. A voz dele deu superbem no filme. Muita gente acha que o Pereio está em uma de suas melhores fases.


E quanto à estética visual de "Terra"?

Eu queria uma estética do grafite e chamei o Denis Leroy para fazer o story board. O Denis chamou uma turma para ajudar a desenhar - o Binho Barreto, Bruno Galan e o Carlos Dias, do Rio Grande do Sul, cada um desenhando uma sequência. Eu dirigi e escrevi o roteiro, porque, na verdade, meu desenho não é muito bom. E por ter ganhado o prêmio da SAV para produzir, passei a bola pra frente, envolvi mais pessoas no projeto. O desenho sonoro é do Sérgio Scliar, que misturou a música, inspirada numa faixa de "OK Computer" do Radiohead, com a narração do Pereio.


Antes do "Terra" você havia feito "Mercúrio". Tem alguma relação?

Tenho a ideia de fazer vários curtas usando a mitologia grega. Já tenho, além de "Terra" e "Mercúrio", "Plutão" e "Marte". Agora quero fazer "Venus" com um texto da Hilda Hilst, que se chama "Filó, a Fadinha Lésbica".


Outro filme seu muito bem- sucedido é "Eu Sou como o Polvo", um tipo de perfil documental do desenhista Lourenço Mutarelli.

Foi feito no improviso. Fiquei sabendo que o Mutarelli seria homenageado aqui em Belo Horizonte, no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ). Me prontifiquei a buscá-lo no aeroporto, disse que era animador e que queria fazer um filme sobre ele. E o Mutarelli topou. Mas como ele ficou só quatro dias, fizemos no improviso, uma ideia supersimples, mas que rendeu vários frutos e ganhou muitos prêmios. Mas na verdade não adianta ganhar prêmio, ser exibido num festival importante, porque a cada filme é como se você começasse do zero.


No seu modo de fazer animação, você escreve, dirige, mas geralmente não desenha. Como é isso? Você se considera um animador?

Na verdade, me chamo de cineasta. Tem muitas coisas que me atraem na animação: o poder de extrapolar os limites da imaginação, essa alquimia de um monte de desenhos parados ganhar vida. Mas não vou ficar preso só em animação. E quando fui fazer o curso de animação, vi que não precisava ser bom desenhista. Muitos biógrafos do Walt Disney dizem que ele nunca foi um.


Dá para perceber também que, além de envolver outras pessoas no processo, por exemplo o animador Clécius Rodrigues, você desenvolve estratégias alternativas de trabalhar com o desenho.


Descobri que não precisa ser um exímio desenhista. Você pode fazer com gente e coisas reais - o Norman McLaren fez isso muito bem (na técnica chamada pixilation) -, você pode fazer de massinha, recorte, de "n" formas.Um exemplo disso é "Eu Sou como um Polvo", que é como se fosse uma animação em live action, com o desenhista criando o desenho diante da câmera. Exatamente. Inclusive "Eu Sou como o Polvo" ganhou um prêmio de "experimentação técnica em desenho". Eu o considero um vídeo fronteiriço entre a animação e o documentário. Considero esse filme mais experimental por isso: está num não-lugar, pode ser visto como documentário, animação e vídeo-arte. E isso tem muito a ver com o que eu busco no meu trabalho: não ficar no lugar comum. Gosto do deslocamento das pessoas de um universo conhecido para outro, não conhecido, apesar de haver o risco maior de as pessoas não gostarem.


Por que você escolheu a animação?

Em 1998, a Escola de Belas Artes (UFMG) comprou um supercomputador para fazer uma série do Menino Maluquinho e formaram uma turma para desenvolver o roteiro. Ali eu descobri a animação. Eu já gostava de um cinema mais diferenciado, sempre gostei de Glauber Rocha. Quando vi "Terra em Transe" pela primeira vez, tive que parar no meio porque comecei a ter palpitação. E a animação, por mais longe que se tenha chegado, ainda tem um campo muito vasto para se explorar. Em Glauber e no cinema live action, há um limite físico que não dá pra extrapolar. Na animação, vi que dava para trabalhar no limite da imaginação. A animação dá essa liberdade, tem esse caráter libertário, pode-se fazer tudo nela.


Quais são suas principais influências?

As obras que são amargas, mais undergrounds. Posso enumerar várias influências. Principalmente o (Jack) Kerouac. Nasci no mesmo dia do Kerouac. Quando li "On the Road", vi uma obra completamente viva, pulsante. Gosto muito do (Charles) Bukowski, que retrata o submundo e tem uma postura que não é politicamente correta no trato das pessoas e do seu próprio corpo.E no cinema? Tem um cineasta chileno, Alejandro Jodorowsky, que hoje vive na França. Ele veio do teatro de bonecos, trabalhou com o Marcel Marceau e depois foi fazer cinema. Nos anos 1970, fez filmes magistrais, muito místicos. Ele conseguiu fazer animação em live action. Seus filmes são verdadeiros experimentos, de uma criatividade que só se vê no cinema de animação. Trabalhou o sublime e o sagrado. Hoje ele tem um sistema de terapia que se chama psicomagia, partindo da ideia de que a arte tem poder de cura. E tem também o Buñuel e também o Kubrick, que eu gosto pela perfeição no tratamento da linguagem cinematográfica. Outra influência é o Lars Von Trier e o pessoal do Dogma 95.


Você só não citou nenhuma referência em animação...

Só para falar um nome da animação, vou citar o japonês Hayao Miyazaki, um cara que tem demonstrado que animação não é só para o público infantil. Ele conta uma mesma história para uma criança de quatro e um cara de 90 anos de idade.Você também assume o papel de exibidor, com a Mostra Udigrudi Mundial de Animação (Mumia). Isso tem a ver com a dificuldade de exibição dos próprios filmes? O Mumia foi criado com essa intenção de exibir nossos próprios filmes, porque desde que comecei a fazer curta até hoje tenho esse problema. Tenho filmes selecionados em Clermont-Ferrand (o mais importante festival de animação do mundo) e que depois não foram selecionados na Mostra de Tiradentes. Então é muito difícil porque a única janela que temos são os festivais. O Mumia foi criado com esse propósito: já que os festivais daqui não selecionavam nossos filmes, resolvemos criar um festival que não tivesse seleção. Temos três apoiadores fundamentais - o Crav (Centro de Referência do Audiovisual), a Fundação Clóvis Salgado (que cede o Cine Humberto Mauro) e o Festival Internacional de Curtas de São Paulo -, mas não temos patrocínio. E isso acaba sendo coerente com a proposta underground da mostra. O que não quer dizer que nunca vou aceitar um patrocínio.


Publicado em: 07/06/2009 no jornal O Tempo.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

VII MOSTRA MINAS DE CINEMA E VÍDEO


VII MOSTRA MINAS DE CINEMA E VÍDEO
[DE 04 A 06 DE JUNHO DE 2009]

Palácio das Artes
VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo 4 a 6 de junho
Cine Humberto Mauro


No início de junho, o Cine Humberto Mauro apresenta a VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo. Neste ano, além da mostra competitiva, o realizador Sávio Leite será homenageado com uma mostra dedicada a seus trabalhos. Puderam se inscrever na mostra competitiva, sem restrições de formato, obras audiovisuais nas seguintes categorias: ficção, documentário, vídeo-poema, experimental e animação. Além da competitiva e das mostras Homenagem e Educação, irão acontecer mesas-redondas que discutirão a criação e a pesquisa na produção de vídeo e cinema contemporâneo compostas por realizadores, pesquisadores da história do cinema e de literatura.


04 QUI
19h Abertura + Mostra-Homenagem: Sávio Leite
20h30 Mesa Redonda - Metamorfose e Risco no Cinema de Sávio Leite

05 SEX
19h Mostra Competitiva 1
20h30 Mesa Redonda - Cinema mineiro: desafios e realizações

06 SAB
16h Mostra Educação: Leitura de Telas e Textos
18h Mostra Competitiva II
20h30 Mesa Redonda - Audiovisual e A Educação Contemporânea
21h30 Premiação

VII MOSTRA MINAS: ENTRADA FRANCA COM RETIRADA DE INGRESSOS MEIA HORA ANTES DA SESSÃO

Serviço
Evento: VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo
Local: Cine Humberto Mauro
Data: 4 a 6 de junho
Entrada franca com retirada de ingressos meia hora antes da sessão
Balcão de Informações: (31) 3236-7400. O Balcão de Informações funciona de segunda a domingo, das 14h às 21h.


Entrevista com Sávio Leite feita por Nian Pisolato

Conhecido pelo caráter experimental de suas obras, Sávio Leite é uma das referências no cinema de animação mineiro contemporâneo. Sávio já dirigiu dez curtas e participou de diversos festivais de cinema, sendo premiado diversas vezes no Brasil e no exterior. O realizador será homenageado na VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo, a ser realizado no dia 04 de junho, no Cine Humberto Mauro. Nesta conversa o realizador fala sobre as produções nacionais e internacionais e sobre o MUMIA – Mostra Udigrudi Mundial de Animação, festival criado por ele, que este ano chega à sétima edição.

Como surgiu essa homenagem que a VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo faz a você?
Bem, essa mostra é realizada pela Faculdade de Letras da UFMG, que tem um projeto que se chama A Tela e o Texto, que chega agora na sétima edição. A Maria Antonieta, professora aposentada entrou em contato comigo. Eu, na verdade, sou muito novo para ser homenageado. Embora já tenha mais de 10 curtas, ainda me acho muito novo. Eles então fizeram a seleção de alguns curtas meus, justamente que tem uma relação com a literatura: Eu Sou como o Polvo, que eu fiz com o Lourenço Mutarelli; o outro é o vídeo sobre o artista mineiro Pedro Moraleida, chamado É proibido jogar futebol no adro desta igreja ou o retrato de um artista enquanto jovem diante do século XXI e de tudo mais ou Tratado de dissipação , principio de redução; selecionaram também o Terra, que está sendo um dos meus filmes mais premiados, que trabalha com um poema do escritor mineiro Sérgio Fantini; e escolheram um outro curta, que é o meu primeiro trabalho de animação, de 2004, chamado O Vento.

Sua história é muito ligada à animação. Seu primeiro trabalho já foi nesse formato?
Não. Na verdade eu sou formado em Comunicação Social. Formei em 1993 com 21 anos de idade. E quando eu estava formando eu descobri que queria mexer com cinema. E coincidentemente uma das minhas professoras trabalhava com Cinema, a Patrícia Moran. Ela foi minha orientadora e depois disso eu comecei a fazer alguns curtas, fiz alguns videoclipes. Mas em 1998 fui fazer um curso de animação e então me apaixonei de verdade com animação. Eu sempre gostei de um cinema mais questionador, mais experimental, amo Glauber Rocha, Godard, mas aí eu descobri que animação dava condições de ser muito mais ousado do que cinema de imagem direta. Porque a imagem direta tem uma certa limitação para você fazer determinadas coisas e a animação não. E foi nesse curso que eu descobri a animação, descobri que coisas que eu via na minha infância, que eu fui ver depois de mais de 20 anos, me pareciam super novas ao olhar. Irônico, subversivo, coisas que eu ainda não tinha percebido. E isso é uma coisa que eu sinto na televisão hoje em dia. Esses desenhos de hoje são todos alucinados, então é muita informação que a animação pode dar.

É preciso muitos meios técnicos para se fazer animação?
Tem uma frase do Rosselini que é assim: “O grande erro do pessoal que trabalha com cinema é querer ser muito técnico”. Porque a técnica na verdade é um engano. Em três dias você aprende a fazer. O que ainda vale é uma boa idéia, a técnica fica em segundo plano. E eu acho que até hoje as melhores animações ainda guardam um traço manual. Então, apesar de todo avanço da tecnologia você ainda tem quase o mesmo trabalho de desenhar, de remodelar. Então eu acho que animação tem o poder de usar esse caráter quase artesanal e colocá-lo nas novas tecnologias. Claro que um bom computador, essas mesas digitalizadoras, ajudam muito. Mas ainda hoje é muito valorizado esse processo manual.

E é assim que seus filmes são feitos?
É. Todos eles são feitos de maneira manual.

Como você vê a produção de animação em Belo Horizonte?
BH é uma cidade que tem um dado singular: é a única capital do Brasil que tem um curso de nível superior regular em animação, na Faculdade de Belas Artes da UFMG. Isso permite que a cada ano se produza muito. As duas últimas realizações da EBA foram muito premiadas: O Lúmen e o Moradores do 304. Eu acho que isso é um dado fundamental e bem específico de Minas.

E a produção não acadêmica?
Tem também... e por outro lado a gente está formando aqui a Associação Brasileira de Cinema de Animação, mas a gente está fazendo a nossa parte de Minas Gerais. Temos 15 pessoas nessa associação. Pessoas de Uberlândia, Juiz de Fora... São pessoas que estão produzindo, tem também pessoas mais teóricas, tem blogs de discussão. Porque eu acho que a animação ainda tem que ser descoberta pelo grande público. Já tivemos o boom da ficção, estamos vivendo o boom do documentário, e acho que a próxima onda vai ser animação, que já está começando. Antigamente existia apenas o Disney que fazia os filmes de animação. Ele era um gênio, mas não havia diversidade. Hoje existe. Você vê, por exemplo, o Hayao Miyazaki, no Japão, ganhando o Leão de Ouro em Berlin. E hoje tem a Pixar, a DreamWorks...Acho então que a animação está deixando de ser rotulada pelas pessoas como entretenimento só para crianças.

Cite algumas referências de animação para quem quer conhecer mais sobre animação
Bom, gosto de todos os filmes da Pixar, começando pelo primeiro, Toy Story. Assim como todos os filmes da Disney. Tem um inglês chamado Phil Mulloy que eu também acho boa referência. Gosto também do Chris Cunningham, que fez vários clipes para a Björk. E tem o Michel Gondry, que tem uma veia experimental de animação bem bacana. Outra refrência é o tcheco Jan Svankmajer, que fez Dimensões do Diálogo, que é sensacional. Aqui no Brasil tem o Allan Sieber, todos os filmes dele são legais, tem o Otto Guerra que fez Wood e Stock.

Existe um país onde esteja mais concentrado essa produção independente de animação?
Na França. Outros países que estão produzindo muita animação também é a Coréia e a China. Mas a França é imbatível e tem muita qualidade.

Quais sites você recomenda para quem quer conhecer mais animações?
O www.portacurtas.com.br tem várias animações e curtas brasileiros. Talvez um dos sites mais completos que exista. Outro legal também é o www.curtaocurta.com.br, um site do Rio de Janeiro, bem legal. Tem também o blog do MUMIA (Mostra Udigrudi de Animação), que eu realizo. Lá eu não posto os curtas, mas publico endereços onde as pessoas podem achar. Eu quero que esse blog venha a ser uma referência de animação no Brasil. Desde o ano passado tudo o que é referência de animação, tanto brasileira como internacional, eu publico, para que seja uma fonte de pesquisa. Porque eu acho que falta um estudo teórico sobre animação. Não só sobre animação, mas curta-metragem em geral.

Conte um pouco a trajetória do MUMIA.
O MUMIA foi o segundo festival de animação do Brasil. O primeiro é o Animamundi, que este ano está na 17ª edição. O nosso festival já tem sete anos e começou como uma brincadeira. Quando eu comecei a fazer cinema meus curtas passavam em vários festivais mas não passavam em BH. Aí eu tive a idéia de fazer um festival aqui que não teria seleção, diferente de todos os outros. Então tudo que fosse enviado seria exibido. Meus únicos cortes foram: os trabalhos deveriam ser de animação em até 15 minutos. E ainda hoje não temos seleção. Começamos timidamente então no Museu Histórico Abílio Barreto. E na 3ª Edição, única vez que tivemos algum patrocínio, por meio da Lei Municipal de Cultura, a gente veio para o Cine Humberto Mauro. Trouxemos o Otto Guerra, fizemos uma oficina e o MUMIA começou a ser mais conhecido a partir de então. E hoje o MUMIA faz parte do calendário turístico de BH, faz parte do guia Kinoforum dos festivais do Brasil, tem apoio do Festival Internacional de Curtas de São Paulo. E ao trazer o festival aqui para o Humberto Mauro o público cresceu, porque é uma sala conhecida, respeitada, que traz o cinema distinto para BH. E ainda é uma mostra feita sem patrocínio, só com apoio. E isso não é uma proposta estética, apesar de consolidar a proposta do festival. Mas eu acho que isso acontece porque as pessoas ainda não reconheceram o grande filão que é a animação.

E quais os detalhes que você já pode nos adiantar sobre a edição deste ano?
Esse ano o MUMIA vai acontecer junto com o Dia Internacional da Animação, que é 28 de outubro. Então eu estou tentando criar uma rede para que nesta data vários lugares de Belo Horizonte estejam exibindo animação. Serão 24 horas de animação invadindo a cidade. Sobre filmes que exibiremos, podemos adiantar que vamos abrir a mostra com o curta Hot Gog e o longa Idiots and Angels, ambos do Bill Plympton. Sobre essas referências de animação, talvez o Bill Plympton seja um dos mais famosos, contemporâneo, um cara que produz anualmente. Vamos ter também uma mostra especial de um festival do México chamado Animasivo, uma mostra especial de um realizador português chamado Abi Feijó e uma mostra especial de animações finlandesas. Espero exibir 140 animações no total.


http://fcs.mg.gov.br/conteudos/detalhes.aspx?IdCanal=17&IdMateria=579

http://www.fcs.mg.gov.br/agenda/detalhes.aspx?IdAgenda=1064

terça-feira, 2 de junho de 2009

Critica - Camera Mundo - 2 Festival de Filmes Independentes - Rotterdam - Holanda - Junho 2009



A animação no Brasil tem uma história recente. Embora o primeiro longa-metragem animado feito no país, Sinfonia Amazônica, tenha sido produzido em 1953, a produção de filmes animados ficou praticamente parada até o início dos anos 90, com exceção de alguns trabalhos publicitários.


Animamundi, o primeiro Festival Internacional de filmes e vídeos de animação foi realizado em 1993. O evento foi um divisor de águas para artistas independentes, que pela primeira vez tiveram a oportunidade de divulgar seus trabalhos além de assistir filmes de vários países. Assim, um forte movimento de animadores ganhou força e se consolidou no Brasil.


Vários nomes viriam a se destacar como referencia na animação brasileira, um deles é o do mineiro Sávio Leite. Ainda cursando Comunicação, Sávio já vislumbrava o "ilimitado mundo da animação”, e a partir daí ficou claro para ele qual seria sua forma de expressão artística.
O trabalho desenvolvido por Sávio é de caráter experimental. Trata-se de uma abstração da realidade, um lugar onde a lógica não é necessariamente importante. Tentar entender seus filmes é um erro, pois o propósito se sua arte é extremamente sensorial. “Eu prefiro esse caminho mais arriscado, porque eu acho que esse é o caminho do experimental. Eu acredito em um cinema que tira a pessoa do seu lugar comum. Esse deslocamento é muito interessante no cinema de animação porque ele permite muito mais do que o cinema comum, ele tem essa magia, essa alquimia... é muito especial”, afirma o diretor.



Sávio já dirigiu dez curtas e trabalhou com nomes de peso do cinema brasileiro como Lourenço Mutarelli e César Pereio. Participou de diversos festivais de cinema e foi premiado várias vezes no Brasil e no exterior. “Eu acho muito importante participar de festivais, porque é uma forma de interação muito rica entre cineastas e o público”. No entanto, no começo de sua carreira, os filmes de Sávio não eram bem recebidos nos festivais em Belo Horizonte, sua terra natal, e sua revolta com relação a isso acabou rendendo bons frutos: “Quando eu vi que meu primeiro filme não foi selecionado, e que o segundo filme também não foi, eu disse chega! Vou fazer um festival sem seleção, todo mundo entra!”. Assim nasceu o MUMIA (Mostra Udigrudi Mundial de Animação), a idéia foi um sucesso e o festival já está na sua sexta edição, mantendo firme o propósito de “brincar com o inconsciente coletivo, ou pelo menos recuperar uma centelha da memória cósmica de milhares de vidas conhecidas sobre o planeta”.



Outro ponto importante tanto do festival quanto do trabalho de Sávio é a preocupação em valorizar a diversidade artística e cultural brasileira. “Está acontecendo a favelização do cinema brasileiro, fora do Brasil todos querem conhecer a realidade da favela, que é muito forte aqui. Mas, filmes que ressaltam outro lado do nosso país são importantes. Aqui tem favela, mas também temos muitas outras coisas”, explica Sávio.



Em seu último trabalho, o curta Terra, Sávio contou com a brilhante narração de César Pereio e levou para casa o premio de Melhor Curta de Minas Gerais no Animará, no Festival Internacional de Animação 2008, o Prêmio Especial do Júri no Araribóia Cine 2008 e o Melhor Filme Humano no Festival Internacional de Curtas de São Paulo 2008.

Texto Gustavo Amaral


“Ik geloof in films die je uit de dagelijkse sleur halen”


In Brazilië heeft de animatie een korte geschiedenis. Hoewel de eerste Braziliaanse animatie, Sinfonia Amazônica werd geproduceerd in 1953, was de productie van animatiefilms onderbroken tot begin jaren 90, met uitzondering van een aantal reclamefilms. Animamundi, het eerste Internationale Festival voor film en videoanimatie werd opgericht in 1993. Dit evenement was zeer belangrijk voor onafhankelijke artiesten, die voor het eerst de kans kregen hun werk te tonen, en animaties uit andere landen te zien. Zo heeft zich een sterke groep van animatie artiesten gevormd in Brazilië.


Een aantal van hen werden bekende animators in de Brazilië, waarvan Sávio Leite uit Minas Gerais er één is. Al tijdens zijn studie communicatie keek Sávio op naar de “onbegrensde wereld van de animatie”, en sindsdien was het duidelijk voor hem wat hij met zijn leven wilde doen. Het werk ontwikkeld door Sávio heeft een experimenteel karakter. Het gaat om een abstracte werkelijkheid waarin de logica niet noodzakelijk belangrijk is. Zijn animaities proberen te begrijpen is tijdverspilling omdat zijn werk op het gevoelsleven gericht is.”Ik neem liever risicos, omdat ik geloof in films die je uit de dagelijkse sleur halen. En met animatie kan je je dat permitteren, het is een soort magie.... het is erg speciaal”, zegt de regisseur.


Sávio heeft al tien korte animaties op zijn naam staan en heeft gewerkt met grote namen uit de Braziliaanse filmindustrie zoals Lourenço Mutarelli en César Pereio. Hij heeft deelgenomen aan verschillende film festivals en viel een aantal keer in de prijzen, zowel in Brazilië als in het buitenland. “Ik vind het erg belangrijk om mee te doen aan festivals, omdat er veel interactie is tussen filmmakers en publiek”. Helaas waren zijn animaties niet altijd welkom op de festivals in Belo Horizonte, waar hij vandaan komt. “Toen mijn eerste film niet werd geselecteerd, en mijn tweede film ook niet, dacht ik: ik ga een animatiefestival organiseren zonder selectiecriteria, iedereen mag mee doen!”.


Zo ontstond Mostra MUMIA, een internationaal animatiefestival. Het werd een succes, en de wens van Leite om de Braziliaanse artistieke en culturele diversiteit te onderstrepen is werkelijkheid geworden. “De Braziliaanse filmindustrie ondergaat een proces van ‘favelisatie’ – buiten Brazilië wil iedereen films uit de favelas zien. Maar films die andere aspecten laten zien zijn erg belangrijk. Natuurlijk zijn er favelas hier, maar ook veel andere dingen.” zegt Sávio. Zijn nieuwste werk, Terra, won de prijs Beste Korte Film van Minas Gerais op de Animará, de Speciale Jury Prijs van Araribóia Cine én de Beste Filme Humano op het Internationale Festival voor de Korte Film in São Paulo in 2008. Sávio Leite is aanwezig voor Q&A.


Tekst: : Gustavo Amaral



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segunda-feira, 4 de maio de 2009

TERRA - 5' - 2008

Terra from leroy studio on Vimeo.






Terra
Animação - 5´- MG - 2008

Coisas ordinárias acontecem com pessoas extraordinárias

Ordinary things happen to extraordinary people.

Cosas extraordinarias les ocurren a personas ordinarias.

Direção: Sávio Leite
Elenco: Ezequias Marques e Paulo César Pereio
Texto original: Sérgio Fantini
Roteiro: Sérgio Fantini e Sávio Leite
Produção executiva: Alexandre Pimenta
Produção Artistica: Leroy Studio
Direção de arte: Denis Leroy
Assistente de arte: Leonardo Cezário e Sílvia Neves
Montagem: Henner Coelho Figueiredo
Animadores: Binho Barreto, Bruno Galan, Carlos Dias e Denis Leroy
Trilha sonora: Fusile
Mixagem e desenho sonoro: Sérgio Scliar



Seleção:
- II Festival de Cine Social y Antisocial de La Pintana – Santiago – Chile – 2008.
- V Festival Internacional de Cortometrajes y Escuelas de Cine – El Espejo - Bogotá – Colômbia – 2008.
- 16° Festival Internacional de Cortometrajes de Santiago – Chile – 2008.
- Cero Latitud – 6° Festival de Cine de Quito – Ecuador – 2008
- 30° Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana – Cuba – 2008.
- FENAVID – Festival Internacional de Vídeo – Santa Cruz de la Sierra - Bolívia – 2008.
- V Festival Internacional de Cortometrajes de Cusco - FENACO - Peru – 2008.
- 31th Clermont-Ferrand Short Film Festival – França – 2009.
-12° Festival de Cinema Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira – Portugal – 2008.
- Los Angeles Brazilian Film Festival – USA – 2009.
-39th Tampere International Film Festival – Finlândia – 2009.
-Annecy 2009 – Festival Internacional do Filme de animação – França – 2009.
- CAMERA MUNDO – 2º Festival de Filmes independentes – Rotterdam – Holanda – 2009.
- 2nd Brazilian Film Festival of Vancouver - Canadá - 2009.
- Signes de Nuit – Festival Internacional de Création Audiovisuelle et Cinématographique – Paris – França – 2009.
-Festival CINE / B – Santiago – Chile – 2009.
-CORTOCIRCUITO – Festival Internacional de cortometrajes – Santiago de Compostela – Espanha – 2009.
- ANIM’EST – International Animation Film Festival – Bucharest – Romênia – 2009.
- 15o Encounters Short Film Festival – Bristol – UK – 2009.
- Muestra de Cine Iberoamericano – Ibertigo – Las Palmas de Gran Canaria – Espanha – 2009.
- IMAGO Film Festival – Fundão – Portugal – 2009.
- XIII Festival Internacional de Cortometrajes La Boca Del Lobo - Espanha - 2009
- Festival Andino de Cine en Ibague - Colombia - 2009.
- VI Festival de Cine Joven de Rengo - Chile - 2010.
- VIDEOEX Experimental Film & Video Festival - Zurich Switzerland - 2010.




- 11° FAM – Festival Audiovisual Mercosul – Florianópolis – SC – Brasil - 2008
- 19° Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – Brasil -2008.
- 4a Mostra de Cinema de Ourinhos – SP – Brasil - 2008.
- 9º Festival de Penedo - AL – Brasil - 2008
- Animará - Festival Internacional de Animação – Sabará – MG – Brasil - 2008.
- 8° Goiânia Mostra Curtas – GO – Brasil – 2008
-CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre – Brasil – 2008.
- 5° Curta Votorantim – São Paulo – Brasil – 2008.
-3° GRANIMADO - Festival de Animação de Gramado – Brasil – 2008.
-Curta Cinema 2008 – Festival Internacional de Curtas metragens do Rio de Janeiro – Brasil.
- 10a Mostra Londrina de Cinema – Brasil – 2008.
- 5° Amazonas Film Festival – Brasil – 2008.
- Jornada Internacional de Cinema do Recife - Brasil - 2008.
- Mostra CINE BH – 2008 – Brasil
- 15° Vitória Cine Vídeo – 2008 – Brasil
- VII Araribóia Cine - Festival de Cinema de Niterói – Brasil – 2008.
- 16° FESTVÌDEO – Festival Nacional de Vídeo de Teresina – PI – Brasil - 2008
- 1 Festival do Juri Popular – 19 capitais brasileiras – Brasil – 2009.
- 9ª Mostra do Filme Livre – Rio de Janiero – Brasil – 2009.
-4ª Mostra Felco – Festival Latinoamericano da Classe Obrera – Belo Horizonte – Brasil – 2009. -4º Locomotiva – Festival Nacional de Animação – Garibaldi/RS – 2009.
-4º CINEPORT – Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa – João Pessoa – Brasil – 2009.
- 17 ANIMA MUNDI - Festival Internacional de Animação do Brasil - 2009.
-4º CINE OP – 4ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – MG – Brasil – 2009.
- Curta-se – 9º Festival Ibero-americano de Cinema de Sergipe – Brasil – 2009.
- INDIE 2009 - MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL - Cinema de Garagem - Belo Horizonte - Brasil - 2009.
- 4ª Mostra de Cinema e Vídeo de Miracema - TO - Brasil - 2009
- V Ibero Brasil Cine Festival – Rio de Janeiro – Brasil – 2009.
-19º Cine Ceará – Fortaleza – Brasil – 2009.
- COMUNICURTAS – Festival de Cinema de Campina Grande – PB – 2009.
- Festival Maranhão em Tela – Brasil – 2009
- 11º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte – Brasil – 2009.



Prêmios e distinções:
- Melhor Filme Humano - Cachaça Cinema Clube - 19° Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – 2008.
- Melhor Curta Mineiro - Festival Internacional de Cinema de Animação - Sabará - MG - Brasil - 2008.
- Prêmio Especial do Júri - VII Araribóia Cine - Festival de Cinema de Niterói – Brasil – 2008.
- Menção Honrosa - 9ª Mostra do Filme Livre – Rio de Janiero – Brasil – 2009.
- Finalista do Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro – Academia Brasileira de Cinema – 2009.
- Prêmio Originalidade - 4º Locomotiva – Festival Nacional de Animação – Garibaldi/RS – 2009.
- Indicado ao 14º Prêmio SESC/SATED como melhor curta metragem – Belo Horizonte – Brasil - 2009.
-Melhor animação - Festival do Juri Popular - 2009.
- Melhor Animação - 4º CINEPORT – Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa – João Pessoa – Brasil – 2009.
- Menção Honrosa – - COMUNICURTAS – Festival de Cinema de Campina Grande – PB – 2009.

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CRITICAS

Os curtas em Santa Maria da Feira – Portugal – 29 de novembro a 07 de dezembro.

Sávio Leite está se tornando um dos reis das animações fora dos padrões comportados – de história e de modelo adotado. Nesse “Terra” ele despeja na banda sonora um monte de considerações sobre comportamento e atitudes individuais, bastante pertinentes, tanto quanto de evidente cunho de observação pessoal do mundo. Tudo feito com ritmo contínuo, sem pausas entre uma observação e outra, e “coreografado” por belas seqüências de desenhos feitos lápis colorido sobre papel (desenhos bem bons, criativos, e ajuntados em edição bastante competente – como é o comum em obras dele). O que mais impressiona é a quantidade filmes que ele lança na praça, e sempre com qualidade acima da média.

Por Cid Nader

http://www.cinequanon.art.br/curtaoblog/?p=36

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TERRA por Gabriel Martins

Em sua obra anterior, Mercúrio, Sávio Leite não me convenceu. Por mais que contenha uma idéia de expressão marginal de animação, o filme não era o bastante para poder provocar algo além da pura experiência visual. Já este novo, Terra, me pegou. Se a proposta de retratar os planetas (presentes como títulos de outras obras do realizador) nos possibilita vislumbrar a alguma alusão ou referência, pode-se dizer que uma animação conturbada e caótica como esta consegue compactar algum tipo de experiência possível de ser filosofada sobre o nosso planeta. Narrada de forma instigante por Paulo César Peréio, a animação ainda se utiliza de uma trilha tensa (Fusile) que nos coloca o tempo todo na vertigem da animação ali feita. A sensação é a de um caderno com desenhos sobre desenhos, a de complementaridade do traço ao mesmo tempo em que este próprio é subvertido em uma animação que não necessita de qualquer esclarecimento contextual: ela simplesmente existe. No todo, Terra propõe uma aproximação da realização da obra que nos traz a ausência de um começo e de um fim, como se o processo fosse eterno. E com isso, o nome “Terra” se encontra devidamente apropriado, titulando uma representação que, acima de tudo, propõe uma constante soma de traços e idéias - sendo que as idéias são, na verdade, os próprios traços.

http://www.filmespolvo.com.br/site/eventos/cobertura/428

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31 Festival Internacional de Clermont Ferrand (em francês e Português)

Terra de Savio Leite (Brésil – L-2)
Tropical surréalisme
Surrealismo tropical





Terra est une oeuvre étrange, suite de croquis furieux, s’interrogeant surle sens de la vie au fil d’un texte envoûtant.



Terra é uma obra estranha, com uma seqüência de desenhos furiosos, se interrogando sobre o sentido da vida ao fio de um texto envolvente.



Entretien avec…Savio Leite : Terra fait partie d’une série d’animation où je revisite plusieursdieux de la mythologie. J’ai déjà tourné Pluton, Mercure et Mars. Terra prendcomme sujet les comportements individuels. Le texte est lu en rythmecontinu, sans pause, sur des séquences dessinées au crayon. J’ai vouludonner la sensation que l’on feuillette un carnet de croquis.








"Terra" faz parte de uma serie onde revisito vários deuses da mitologia ( já tenho Plutão, Mercúrio e Marte em animação) e curiosamente as pessoas confundem com os planetas,que eu acho ótimo por permite ainda mais interpretações.Terra faz considerações sobre comportamentos e atitudes individuais, bastante pertinentes, em um ritmo continuo, sem pausas, "coreografados" por seqüências de desenhos a lápis de forma a criar uma sensação de um caderno de desenhos sobre desenhos como um processo que se pretende eterno.





Le texte est très beau, avec son humour noir et absurde.Il s’agit d’un texte original écrit par Sérgio Fantini, un écrivain de BeloHorizonte, ma ville natale. Nous l’avons conçu dans un esprit surréaliste,pour qu’il soit propice à faire naître des images.





O texto é muito bonito, com seu humor negro e absurso. O texto original é de um escritor da minha cidade, Belo Horizonte, chamado Sérgio Fantini. A escritura do roteiro foi feito em conjunto com ele. Tínhamos um espírito bastante surreal durante a escritura, imaginando o que poderia ser mostrado na imagem que não continha no texto.





Certains dessins évoquent Basquiat, était-ce une de vos références ?Comme les graffitis sont la grande référence visuelle du film, je ne suispas surpris par votre allusion à Basquiat. Je considère les graffitis commeun art d’une grande diversité. L’autre grande influence provient d’un filmproduit à Belo Horizonte en 1971, l’année de ma naissance : Bang Bangde Andréa Tonacci, un chef d’oeuvre du cinéma marginal. Le texte de Terraest lu par Paulo César Pereio, une icone du cinéma indépendant brésilien,et par Ezequias Marques, un célèbre acteur de Belo Horizonte.





A grande influencia dos desenhos são os grafite de rua, por isso não me espanta você ter citado Basquiat. Creio que o grafite possui uma extraordinária diversidade artística. Outra grande influencia foi o longa metragem produzido em Belo Horizonte, em 1971, ano em que nasci chamado "Bang Bang", de Andréa Tonacci, antológica obra do cinema marginal brasileiro. O Texto de Terra foi narrado por Paulo César Pereio, famoso ator brasileiro, ícone do cinema marginal no Brasil e Ezequais Marques, veterano ator de Belo Horizonte.

Propos recueillis par Stéphane du Mesnildot
http://www.clermont-filmfest.com/01_festival/12_quotidien/img_commun/mercredi4.pdf

PRIMEIROS TRABALHOS - VIDEOCLIPES



A TERRIVEL VINGANÇA - Sávio Leite - 3'- 1994




Video clip de animação da banda de Psychobilly mineira Os Baratas Tontas com a perfomance de Kátia Flavia. Filmado no SQUAT, lendaria casa noturna de Belo Horizonte que trouxe no final da decada de 80 e principios de 90, o melhor do underground brasileiro. Tocaram la Chico Science, Pato Fu, Virna Lisi, Chemako, Okoto, Cidade Negra, etc...







REREZAMN - Sávio Leite - 4´- 1995



REREZAMN mostra imagens livres olhando o mundo exterior sem se importar com ele; ao mesmo tempo mostrando uma forte hostilidade aos valores estabelecidos. Afirma a realidade de cada momento com um espirito irracional que exclui qualquer forma de intenção estética. É projetar-se no vácuo do saco de café. Videoclipe para a banda Holocausto de Belo Horizonte.





THE UNSPOKEN NAME OF DEATH - Sávio Leite - 2´- 1996


Videoclipe para banda Vultur ( André Cabelo - Guitarra e vocal, Sandro - Baixo - Alexandre Bonfim - Teclados e Nilson na Bateria)Imgens gravadas em Hi8, no lixão de Contagem - MG, entre julho e agosto de 1995 e ditada em 1996 em ilha S-VHS de Adriano Nery.




Anti - Sávio Leite - 4'- 2008

Videoclipe para Digitaria - www.digitariamusic.com.br

O curta pode ser visto em: